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Partida Sílvia Mota
Estou partindo, não me perguntes o por quê. Nem eu mesma sei porque estou partindo, mas estou...
Saciei minha vaidade no som da tua voz e nas tuas mãos enrijeci meus seios. Engoli o sabor de todos os teus beijos na saliva sacrossanta de um presente sem destino.
Não sei se guardarás na lembrança a lembrança de mim, dos meus olhares e do meu sentir. Mas, pouco importa agora, pouco agora importa...
Estou partindo, não me perguntes o por quê. Nem eu mesma sei porque estou partindo, mas estou...
Nos teus braços soçobrei, de tua dama me desfiz em vadia. Mas, no balouçar dos meus abraços, em ausente presença o teu sonho voou e não fostes meu nos meus apelos.
Nos meus momentos de ti arfei na tua voz, renasci ao teu toque e me fundi ao teu corpo. Mas, nos teus momentos de mim, eu não sei o que fui...
Estou partindo, não me perguntes o por quê. Nem eu mesma sei porque estou partindo, mas estou...
Não me quero decompor em emoção nem cantar ao som de lágrima ferida. Assim, antes de aprender a te amar e de ser teu amor, eu me vou, sem nem saber o por quê.
Antes da primavera levar a última flor, eu salvarei meu sorriso e comigo levarei o meu amor, para inumá-lo no soluço da minha saudade, sem nem saber o por quê.
Deve ser medo prematuro de te perder ou te ter... não sei... Mas, pouco importa agora, pouco agora importa...
Estou partindo, não me perguntes o por quê. Nem eu mesma sei porque estou partindo, nem por quais caminhos vou..
Cabo Frio, 3 de outubro de 2007 2:53hs da madrugada.
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