Uma pergunta ecoa no ar, sempre: - "O que é o amor? - Nunca me atrevi a respondê-la, talvez porque seja uma pergunta impossível de ser respondida... Mas, a insistência dessa inquirição me provoca e, afoita como qualquer poeta, deslizo meus pensamentos para o papel, na tentativa de decifrar o indecifrável. Este poema ficará aberto, para que eu o modifique ou o amplie, a cada dia que aprender algo diferente a respeito dessa virtude que transforma o mundo e as pessoas... E, a depender de mim, ele se renovará todos os dias...

 

 

Mas, afinal, quid amor?

Tu me perguntas sempre...

 

Sílvia Mota

 

Que coisa é o amor?

Pode nascer no crisol de um olhar

e asilado na palavra

 espargir por alma afora...

 

Pode ser jazigo raso

ou um pélago profundo.

 

Pode ser sorriso em dor

ou talvez choro em sorriso.

 

Pode ser noite de chuva

ou alvorada de sol.

 

Pode ser borrasca temível

ou orvalho numa flor.

 

Pode ser um carro novo

ou pé descalço na estrada.

 

Pode ser lamento triste

ou brado em lança de herói.

 

Pode ser medo e coragem

ou a paz em oração.

 

Pode ser réu e juiz

ou a justiça sem lei.

 

Pode ser palavra doída

ou sorriso de perdão.

 

Pode ser beijo na alcova

ou soluço frente à morte.

 

Pode ser lajota fria

ou um páramo estrelado.

 

Pode ser cincho eternal

enlaçando Vida e Morte.

 

Pode ser soneto inteiro

ou adágio estilhaçado.

 

Pode conter-se num verso

ou transcender o Universo.

 

Pode ser eu em teu braço

ou teu braço em meu abraço...

 

Mas, afinal, me pergunto:

amor omnia vinciti?

E me respondo: talvez...

 

 

quid amor? = que coisa é o amor?

amor omnia vinciti? = o amor vence tudo?

 

Sílvia Mota

Cabo Frio, 26 de setembro de 2007.

16:25hs.

 *Esta página foi atualizada em 11/05/08*


 

 

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