Dualidade![]()
Escuta, amor!
Escuta o segredo mais atrevido
que descobri agora dentro da minh'alma.
Escuta meu coração
com os ouvidos do teu coração.
Deixa a razão de lado, por favor
e vem falar comigo de amor para amor,
de sensação para sensação.
Passei a querer-te de uma maneira estranha
e mais verdadeira.
Passei a compreender meus sentimentos e, agora,
dependendo de ti e do teu desejo,
serei tua mulher ou serei teu homem,
tua gata ou teu cavalo;
serei mansa ou selvagem,
macia ou agressiva.
Transformarei tua cama branca em leito nupcial
ou libertar-te-ei o corpo em plena natureza,
levando-te aos prazeres diretos dos sentidos.
Farei contigo o que assim desejares,
sem preconceitos, sem correntes nem gaiolas.
Como mulher,
serei teu momento mais suave
de amante e amor,
tua vida e esplendor.
Alcançarei as estrelas mais infinitas
nesse infinito que tornar-se-á tão finito
comparado ao meu amor por ti!
Serei o êxtase e a excitação pelo desconhecido,
a ternura diferente, o contraste ...
Serei a beleza do amor pelo próprio amor,
a luz, a paz, o teu desejo mais puro e profundo,
a manifestação dos teus prazeres escondidos
e a chave dessa gaiola dourada de sol
na qual te prendeste sem nem saber o por quê.
Como homem,
serei apenas a consagração do prazer,
mas se realmente me quiseres assim,
acenderei em mim o maior dos prazeres
e transformarei minha natureza feminina e natural
na masculinidade que desejas!
Como gata,
esfregar-me-ei no teu corpo
mostrando-te a ternura do meu pelo.
Ficarei em ti enroscada,
em libidinagem única.
Meus pelos brancos afagarão teu sexo
e conquistarei o lugar de gata preferida,
arranhando e lambendo de maneira cor-de-rosa
tudo aquilo que pedires.
Serei fiel e quieta,
serei mansa e ofegante
no meu gozo final!
Mas, se quiseres, amor,
serei também teu cavalo
e, da mesma maneira sensual,
conseguirei levar-te
os prazeres mais intensos da paixão.
Em volúpia incontida,
oferecer-te-ei, realmente,
o prazer e a felicidade do amor,
como se cavalgássemos um no outro,
acima das estrelas
e dos desejos humanos mais profundos.
Decida, amor,
pois eu serei o que pedires:
tua mulher ou teu homem,
tua gata ou teu cavalo!
Não importa o quê, nem como, nem em que lugar
desse universo infinito e eterno,
pois decidi ser por um dia apenas
todo desejo e toda paz que procuras
nos teus momentos
e não conseguiste ainda encontrar.
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Sílvia Mota
Poema escrito
numa
madrugada qualquer de 1987...
Mensagem formatada em: 9
jan. 2003
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