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Meu recanto |
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Sílvia Mota |
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Fui morar num lugar esquisito, onde o silêncio
fala,
onde o sorriso chora, onde a morte nasce e onde a vida não consegue morrer. Fui morar nesse lugar engraçado onde não enxergo meu corpo, onde flutuo sem sair do chão, onde falo sem emitir sons. As notícias são lidas nas estrelas, a música é o bater do coração, o sonho é a vida respirada a cada momento e o momento é toda a continuidade de pensamentos. As estátuas que fiz são mais humanas do que os humanos de onde vim. Ficam caladas ouvindo meu estranho silêncio e sinto choro sem lágrimas naqueles olhos de pedra que não vêem. Fui morar naquela rua onde você não passa, naquela casa sem número da rua sem bairro e sem cidade. Fui morar no calado barulhento das palavras que não consigo tirar fora do meu imenso baú feito de massa cinzenta. Num recanto triste da minha própria vida estrangulei meus sonhos e na saudade do seu carinho adormeci meu sexo. Enrosquei meu corpo no esperma endurecido dos lençóis e, num recanto triste da minha própria vida, enfiei as mãos nos meus sentidos e não pude mais sentir você no meu prazer...
Mensagem
formatada em: 7 jan. 2003
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