Sedução inacabada

 

 

Perder-te...

Sentir as cores se apagando

nesse arrepio gostoso

que teu pincel fazia no meu corpo...

Perder a manha da tua voz

penetrando sensual e forte

nos meus sentidos...

Deixar no vai e vem das ondas

esse corpo repetir

que desejou ser apenas meu

e descolorir essa tela

que nunca chegou a ser

uma pintura famosa...

Perder esse homem menino

tão virgem de amor verdadeiro!

Perder e jamais voltar a ser

o êxtase que nunca sentiste

com outra mulher...

Desmanchar o meu corpo nessa tela

que tomava vida e se oferecia ao teu gozo.

Rasgar o lençol branco,

amassar a rosa,

lamber a gota de sangue

e suavemente

sentir o gosto adocicado

dessa quase sedução.

Perder a coragem

e não mais continuar a sugar,

chupar e sugar tua boca

até sentir na tua língua

o gosto quente do teu prazer.

 

Perder-te...

sem ao menos – um segundo - possuir-te...

 

 

Sílvia Mota.

 

Mensagem formatada em: 16 jan. 2003

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