O
ensino jurídico: algumas reflexões
Artigo científico publicado em:
MOTA,
Sílvia.
O ensino jurídico: algumas reflexões. Jornal da Adesa:
associação de docentes da Estácio de Sá, Rio de Janeiro, ano 2, n. 15, p. 3,
ago. 2003.
___________________________________________________________________________________
O curso jurídico
nas instituições universitárias privadas vem sendo entendido tal qual maquinaria
eletrônica acessada no sentido de possibilitar a abordagem das matérias
essenciais dentro do tempo mínimo considerado suficiente. A metodologia de
ensino padronizou-se na autonomização de um saber específico, no intuito de
transmitir os conhecimentos fundamentais e instrumentais, desarticulados de
matérias correlatas que possibilitam ao estudante transitar num universo
intelectual mais amplo. Contudo, a burla do emprego dessa metodologia vem sendo
constatada. O magistério essencialmente discursivo, sem a participação dos
discentes, vem contribuindo para a formação de indivíduos cada vez mais
desapaixonados. As informações tombam enxovalhadas, não lhes sendo cobrada a
sedimentação do conhecimento exposto. Daí, a negligência e a formação de uma
nova classe de consumidores, estranha, por sinal, pois que paga o preço máximo
exigido para receber, se possível, o mínimo em troca. Os mestres interessados em
reverter essa situação, compromissados com a educação e cientes da relevância da
pesquisa na formação do pensamento jurídico, tornam-se alvo da repulsão e
acossamento por parte daqueles alunos que foram adestrados a reproduzir sempre o
que lhes é transmitido, palavra por palavra.
A Ciência do
Direito, construída através da inquietude que extravasa da pessoa humana em
relação aos seus próprios direitos, no afã de amansar as trilhas dogmáticas do
Direito Positivo, passa a ser relegada ao esquecimento em favor do ranço que se
consagra, nos cursos de graduação, ao estudo acrimonioso e acrítico da lei.
Nesse contexto, inúmeros conceitos e institutos - briosamente articulados pelos
sacerdotes jurídicos - muitas vezes ameaçam lacerar-se na ambiência atécnica das
legislações.
A pesquisa
jurídica, experiente, expõe vaidosa que a compreensão da matéria suscita, na
realidade, uma coexistência de forças concorrentes com vistas ao fim
determinado. Assim, professores e alunos carecem instigar a formação de um
pensamento próprio e crítico a respeito dos conhecimentos que lhes são
transmitidos.
Para o sucesso
dessa epopéia é preciso que ambos esposem os princípios da metodologia
científica, que informarão à Ciência Jurídica o necessário para fazer exsurgir
no graduando a vivacidade de um espírito altaneiro, construtivo e inovador,
encontrável apenas naqueles mestres que desafiam transmutar em louvores as
dificuldades enfrentadas no magistério; naqueles advogados que degustam o sabor
da vitória ao influxo das dificuldades, ao arriscar-se com galhardia na defesa
de seus ideais; ou naqueles magistrados que, incansáveis no seu labor, não
adormecem seus conhecimentos no leito amarrotado do que já foi desvendado, como
se não mais reclamassem por atualização.
___________________________________________________________________________________
Voltar à página de abertura do centro
de pesquisa jurídica SÍLVIA MOTA