1 Concepção e
validade
A NBR
6028, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, define resumo como
“apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto”. Completa-se a
definição afirmando ser o resumo: uma apresentação sintética e seletiva
das idéias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação delas.
Nele devem aparecer as principais idéias do autor do texto.”
A
finalidade do resumo é difundir as principais idéias do autor lido, de
modo a influenciar e estimular o leitor à leitura do texto completo. Neste
sentido, os resumos somente serão válidos quando explicitarem, de forma
sintética e clara, tanto a natureza da pesquisa realizada, quanto os
resultados e as conclusões mais importantes.
2 Como
resumir: noções técnicas
Resumir significa
fazer um comentário de alguma coisa. Um resumo deverá ser fiel às idéias
do autor, apresentar uma estrutura capaz de revelar o fio condutor por ele
traçado e expressar tal capacidade de síntese que se destaquem os
conceitos fundamentais do texto. Também, é imprescindível ter um cunho
pessoal que demonstre a assimilação individual do pesquisador que,
alicerçado em seus interesses básicos, traçará os objetivos do resumo,
classificando, informando ou criticando. Para melhor aproveitamento da
leitura é preciso entender o texto, pois impossível resumir sem
compreendê-lo. Para a identificação precisa do tema, não se deve resumir
antes de ler o texto todo.
Veja-se, por
partes, como fazer para encontrar a idéia principal de um parágrafo, de um
capítulo ou uma secção, na obra.
Como
encontrar a idéia principal no parágrafo?
Um
parágrafo é uma idéia; um conjunto de frases que forma um todo constituído
de uma idéia fundamental, em torno do qual giram idéias secundárias em
determinado número de linhas.
Entendido o que
seja um parágrafo deve-se enumerá-los no texto e, em seguida, sublinhar as
idéias principais, fazendo-o com inteligência. Sublinhar com inteligência
é uma arte que permite ao pesquisador colocar em destaque as idéias
principais, as palavras-chave e os detalhes importantes. O ato de
sublinhar favorece marcar o que é principal em cada parágrafo, permitindo
realizar a revisão imediata. É importante sublinhar somente as idéias
principais e os detalhes importantes. Não se deve sublinhar em demasia.
Observe-se que um
parágrafo contém, como já foi referido, uma só idéia e geralmente começa
com uma frase importante. Esta, em seguida, é explicada, ilustrada,
acompanhada de frases que o resumem. Neste caso, a idéia principal está no
início do parágrafo. Mas, atente-se que, isso não é regra. Muitas das
vezes a idéia principal encontra-se no final do parágrafo. Na maioria das
vezes, a idéia principal é parte de uma oração e não a oração inteira.
Pode-se resumi-la em poucas palavras conforme o exemplo abaixo:
Parágrafo
matriz para resumo:
Contra a possibilidade de uma ciência do comportamento
há um outro argumento, a propósito do qual, ao longo dos séculos,
se acumula uma literatura tão ampla quão pouco esclarecedora. Refiro-me
ao argumento do livre-arbítrio: não podemos formular leis
relativas ao comportamento humano, porque os seres humanos
são livres para escolher a maneira como irão agir. Reluto em dar
atenção a essa discussão fútil, mas a omissão completa poderia ser,
suponho eu, chocante; creio que o argumento é de importância
especialmente para as ciências do comportamento, que deveriam,
examiná-lo dos pontos de vista psicológico e sociológico para saber
por que é tão persistentemente apresentado e por que merece acolhida tão
firme.
Seguindo as
indicações aqui estabelecidas pode-se extrair a idéia principal assim:
Contra a possibilidade de uma ciência do comportamento, há o argumento do
“livre-arbítrio”: não podemos formular leis de comportamento humano; os
homens são livres para escolher. O argumento merece exame dos pontos de
vista psicológico e sociológico.
É
fundamental, para o bom entendimento do texto, adquirir o hábito de
identificar a idéia principal em todos os parágrafos que se lê.
Como
encontrar a idéia principal de um capítulo ou secção, na obra?
Cabe em qualquer
leitura atentar para o sumário da obra, procurando informações nos
títulos, subtítulos, intentando captar os passos do autor. Há de se
observar a hierarquização das idéias: a mais geral para todo o trecho e as
menos gerais apresentadas logo abaixo desta. O autor geralmente procura
distribuir as idéias, valorizando-as.
Exemplo de
hierarquização de idéias em um capítulo:
3 TEORIA DA PENA
DE MORTE
3.1 Conceito de pena
3.2 Teorias da pena
3.2.1 Teorias da
Retribuição (absolutas),
3.2.2 Teorias da
Prevenção ou Teorias Finalistas (relativas)
3.2.3 Teorias
Ecléticas (mistas)
3.3 Conceito de
pena de morte
O que são
detalhes importantes?
O próprio
autor indica o que é importante para expressar seu pensamento. Assim, os
exemplos, os argumentos, as ressalvas, as exceções, são detalhes
importantes. Exemplo:
Nem todas
as figuras que tipificam crimes contra a Administração Pública elencadas
no Código Penal, do art. 312 ao art. 359, servem de base para a imputação
do crime de lavagem. Por exemplo, o disposto no art. 322, ao
indicar que praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de
exercê-la é um crime de violência arbitrária e, não obstante praticado por
funcionário público contra a Administração Pública, não guarda vínculo com
a ocultação ou dissimulação de bens, direitos ou valores tocantes aos
crimes de lavagem. (grifo nosso) (MOTA, 1996).
Finalmente,
como redigir o resumo?
Segundo a
NBR 6028 da ABNT, deve-se evitar o uso de parágrafos no meio do resumo.
Portanto, o resumo é constituído de um só parágrafo, com no máximo 500
palavras. (Esse é o resumo que se faz nas monografias de graduação,
dissertações e teses).
Para
formular um resumo com a finalidade de aprendizado, alguns lembretes são
necessários: sublinhar depois da primeira leitura feita, porquanto
ter-se-á a noção do que trata o texto; sempre reconstruir o parágrafo a
partir das palavras sublinhadas, num movimento integrador de idéias;
evitar as locuções: “o autor descreve [...]” ou “neste artigo, o autor
expõe que [...]”
Como se
pode perceber, há algumas regras para a confecção do resumo, quais sejam:
supressão, generalização, seleção e construção. Estas regrinhas, na
verdade são etapas do próprio resumo.
Na
supressão eliminam-se as palavras secundárias do texto (assim como:
exemplos, reforços, esclarecimentos, advérbios, adjetivos, preposições,
conjunções) desde que não se prejudique a compreensão.
A
generalização permite a substituição de elementos específicos por
outros genéricos (exemplos: 1. no lugar de maçã, limão, pêra e laranja,
usar a palavra frutas; 2. no lugar de regiões norte, sul, leste e
oeste, do Brasil, utilizar regiões do Brasil).
A
seleção elimina as informações secundárias com a valorização das
primárias.
A
construção é a fase na qual o autor cria uma nova frase, respeitando o
conteúdo daquela que lhe inspirou (paráfrase).
Na
formulação do resumo, o problema deve ser enunciado e as principais
descobertas e conclusões devem ser mencionadas, na ordem em que aparecem
no trabalho. O tratamento dado ao tema pode ser traduzido mediante uso de
palavras como preliminar, minucioso, experimental,
teórico. O resumo será redigido na terceira pessoa do singular (de
preferência), em períodos curtos e com palavras acessíveis a qualquer
leitor potencialmente interessado.
3
Tipos de resumo
Para o
pesquisador, constitui-se o resumo num eficaz instrumento de trabalho. É
uma síntese da obra em estudo e, sendo assim, pode apresentar-se sob três
diferentes formas: resumo indicativo, resumo informativo, resumo crítico.
O
resumo indicativo ou descritivo elimina quaisquer dados que não
sejam aqueles essenciais. Refere-se às partes mais importantes do texto e,
por ser tão simplificado, não dispensa a leitura do original.
Exemplo:
ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no
vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 184 p.
Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os
textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que
buscam erigir uma gramática do texto, uma teoria do texto. São objetos
de seu estudo a coesão, o clichê, a frase feita, o ‘não-texto’ e o
discurso indefinido. Parte de conjecturas e indagações, apresenta os
critérios para a análise, o candidato, o texto e farta exemplificação.
O
resumo informativo reproduz com fidelidade a matriz, no que diz
respeito às idéias principais e detalhes importantes.
Exemplo:
ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no
vestibular. São Paulo: Mestre Jou, 1981. 184 p.
Examina 1500 redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da
FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP
em maio de 1981. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos
vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita,
particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de vestibulandos
pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. Sua
hipótese inicial é a da existência de uma possível crise na linguagem e,
através do estudo, estabelecer relações entre os textos e o nível de
estruturação mental der seus produtores. Entre os problemas,
ressaltam-se a carência de nexos, de continuidade e quantidade de
informações, ausência de originalidade. Também foram objeto de análise
condições externas como família, escola, cultura, fatores sociais e
econômicos. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do
conceito de coesão. A autora preocupa-se ainda com a progressão
discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas
evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão
de que 34,85 dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos
termos relacionais: 16,95 apresentam problemas de contradições lógicas
evidentes. A redundância ocorreu em 15,25 dos textos. O uso excessivo de
clichês e frases feitas aparece em 69,05 dos textos. Somente em 40
textos verificou-se a presença de linguagem criativa. Às vezes o
discurso estrutura-se com frases bombásticas, pretensamente de efeito.
Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se
ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade,
valorizando o devaneio.
O
resumo crítico apresenta uma crítica congruente, com alicerce
científico a respeito do texto em estudo. Será nesse caso, um resumo
interpretativo, denominando-se resenha.
Cabe
salientar que a resenha não é um simples resumo. Este é apenas um elemento
da estrutura da resenha. O resumo não admite o juízo valorativo, o
comentário, a crítica. A resenha exige tais elementos.
Exemplo de
resenha de obra considerada no todo:
MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de direito internacional
público. 12. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 1999. 2 v. 1644 p.
O Direito Internacional Público (DIP) é o ordenamento jurídico da
sociedade humana na sua ampla acepção e, assim, há de ser eminentemente
dinâmico, acompanhando-lhe a evolução. Interessa não apenas ao
especialista, mas a todos. Toda a vida política, econômica, social e
cultural está se internacionalizando, e o Direito Internacional é o
instrumento deste processo. O Autor revela a preocupação de produzir
obra de profundidade aliada à informação científica atualizada,
indispensável ao estudo de um Direito que exige um cotejo permanente com
os fatos, no seu desdobramento interminável. Esta 12ª edição
apresenta-se revista, ampliada e atualizada, levando em consideração as
transformações ocorridas no DIP após a última edição. Inicia a obra com
uma excelente resenha doutrinária. Enumera e critica o melhor do
pensamento jurídico internacionalista, sem que o Autor omita a sua
posição, definida com clareza. A bibliografia citada não pretende ser
exaustiva. Ela representa, de um modo geral, as fontes consultadas para
a elaboração do capítulo ou parágrafo. Serve também de guia aos alunos
para a elaboração de seus trabalhos práticos. Referindo-se a esta obra,
disse o grande internacionalista Professor Franchini Netto: “o Autor,
com modéstia, afirma que o livro se destina aos estudantes. Tenho a
segurança de que maior é a área de sua utilidade. É obra que consagra
seu jovem e brilhante Autor. Um trabalho que merece o aplauso dos
estudiosos”.

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