Como explicar a vida humana, nesse equilíbrio universal intenso,
animal e vegetal, que se processa a cada momento, veemente, num movimento dúbio
que a um só tempo é uno e, por incrível, tão independente? Como elucidar o
irresistível e enigmático segredo que extravasa de uma única célula feminina na
conquista de milhões de espermatozóides, ou ainda depreender o resfolegar
estranho que permanece adormecido por milênios e desperta ao toque do cientista
em busca de aventura?
Sem querer nem poder atingir a impérvia essência
da criação, ou desvendar as verdades biológica, sociológica e psicológica do
indivíduo, entende-se a vida humana como o agrupado de todos esses mistérios revelados
através da energia mantida pela ação dos elementos naturais e alterados, iminentemente, pela intercessão da cultura.
A vida humana se ampara na cumplicidade entre
indivíduo e natureza, que os torna inseparáveis e necessários um ao outro. Vertente dos outros
bens jurídicos é, pela sua essência - independente de qualquer avanço biotecnológico - única e irreplicável. Por isso, exige o respeito absoluto de
não ser tratada como simples meio, mas como fim.