Textos


Vincent Van Gogh
Sílvia Mota

 

“Sinto que o supremamente artístico é amar as pessoas.”

“Após a experiência dos ataques repetidos, convém-me a humildade.
Assim pois: paciência. Sofrer sem se queixar é a
única lição que se deve aprender nesta vida.”

“Longe de me queixar, é justamente com a vida artística
que me sinto quase tão feliz como poderia ser com a vida ideal
verdadeira, embora esta não seja propriamente a verdadeira.”

Vincent Van Gogh: Cartas a Theo


Van Gogh é analisado como um dos principais representantes da pintura mundial. Sua vida é marcada por inúmeros fracassos. Falha em aspectos importantes para o mundo, em sua época, sendo incapaz de constituir família, custear a própria subsistência ou até mesmo manter contatos sociais. Por outro lado, o gênio da pintura imortaliza-se através das telas, que carregam, de forma eloquente, toda a comoção de uma vida repleta de dons.

Nascimento

Em 30 de março de 1853, Vicent Van Gogh nasce em Zundert, cidade próxima a Breda, na província de Brabante do Norte, nos Países Baixos. É filho de Theodorus, um pastor da Igreja Reformada Neerlandesa (calvinista), e de Anna Cornelia Carbentus. Tem uma irmã e um irmão chamado Theo. Com o último, estabelece forte relação de amizade.

Infância e adolescência

Na infância, Van Gogh aprende inglês, francês e alemão. Mas, com apenas 15 anos, deixou os estudos para trabalhar na loja de um tio, em Haia (Holanda). Inicia sua atuação profissional muito jovem, por volta dos 15 anos de idade. Trabalha para um comerciante de arte da cidade de Haia.

Juventude

Após algumas tentativas em vão para trabalhar em galerias de arte pertencentes a amigos da família, virou-se para os pobres e necessitados, descobrindo o que considera ser a verdadeira vocação: pastor como o seu pai e o seu avô. Decide exercer o apostolado por conta própria e em dezembro de 1878 sai para a região mineira de Borinage, o “país preto”, na Bélgica. Alojado no início em casa de um padeiro, não tarda em se mudar para uma choça. Lá dorme no chão, sobre um monte de palha. Após repartir à sua chegada toda a sua roupa entre aqueles desgraçados, veste uma velha roupa de soldado e um boné estragado. Leva a vida dos mineiros e seu rosto mantém-se sempre preta de carvão. Prega, reparte o seu dinheiro e, de vez em quando, impressionado com a vida e o trabalho dos pobres mineiros da cidade, elabora vários desenhos à lápis. Tais excessos alarmam o Comité de Evangelização de Bruxelas, que lhe retira a nomeação e o subsídio. Vincent persiste, sem comida e sem abrigo, durante o terrível inverno, até que o seu pai o resgata (GRAMARY, 2005, p. 49).

Retorna para a cidade de Haia, em 1880 e dedica tempo maior à pintura. Após receber uma significativa influência da Escola de Haia, elabora uma série de trabalhos, sob técnicas de jogos de luzes. Neste período, suas telas retratam a vida cotidiana dos camponeses e os trabalhadores na zona rural da Holanda.


Vida afetiva

Na vida afetiva, o fracasso de Van Gogh é irrestrito.

Em Londres, apaixona-se pela filha da sua patroa e a rejeição por parte desta leva-o a total abatimento.

Em Ethem, apaixona-se por Kee Vos, sua prima, recém viúva e com um filho, que o rejeitou decisivamente. O evento motivou a inimizade com o seu pai, que não vacilou em qualificar a paixão como “incestuosa”. Ao perceber-se não correspondido, Vincent extravasa seu desespero mantendo a mão direita sobre a chama de um candeeiro, até cair inanimado (GRAMARY, 2005, p. 49).

Em Haia, apaixona-se por uma prostituta chamada Sien, grávida e alcoólica. “Este inverno - explica ao irmão Theo - encontrei uma mulher grávida, abandonada pelo pai da criança que levava no seu seio... cheia de frio, errava pelas ruas, tratando de ganhar o pão da maneira que podes imaginar. Tomei-a como modelo e trabalhei com ela todo o inverno. Não pude dar-lhe um ordenado completo de modelo, mas paguei-lhe as suas horas de pose, e pude salvá-la, a ela e à criança, da fome e do frio, dividindo com ela o meu próprio pão.” (VAN GOGH, 2004). Com Sien viveu numa felicidade progressivamente deteriorada, a avaliar a ideia do casamento como forma de a recuperar. No limite das forças físicas, Vincent chama o irmão Theo para o ajudar, o qual o afasta daquela mulher irrecuperável, que se entregara de novo à bebida. Nuenen é o cenário de uma nova - e falhada - relação sentimental: uma solteirona cândida, Margot Begeman, que tenta suicídio perante a oposição familiar ao seu casamento com Vincent (GRAMARY, 2005, p. 49).


Paris

O ano de 1886 é de extrema importância em sua carreira. Mora em Paris, com seu irmão Theo. Na cidade nova conhece importantes pintores da época, entre esses, Emile Bernard, Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin e Edgar Degas, representantes do impressionismo. Recebe grande influência desses mestres do impressionismo, como se verifica em várias das suas telas.

Arles

Dois anos após sua chegada à França, parte para a cidade de Arles, ao sul do país, região rica em paisagens rurais, com cenário bucólico. Nesse contexto pinta várias obras com girassóis. Em Arles, pinta o único quadro que consegue vender durante toda sua vida: A Vinha Encarnada.

Convida Gauguin para morarem juntos no sul da França. Gaugin foi o único que aceitou sua ideia de fundar um centro artístico naquela região. No início, a relação entre os dois artistas é amistosa, mas, com o tempo, os desentendimentos aumentam.


Influência da doença nas suas obras

Quando Gauguin retorna a Paris, Vincent entra em depressão. Em várias ocasiões sofre com ataques de violência e seu comportamento passa a ser muito agressivo. Nesse período corta uma das orelhas. Alguns biógrafos da vida do artista afirmam que o ato foi uma espécie de vingança contra sua amante Virginie, depois que Van Gogh descobriu sua paixão pelo artista Paul Gauguin. De acordo com esta versão, Van Gogh envia a orelha ensanguentada, dentro de um envelope, para a amante.

O estado psicológico grave de Van Gogh reflete-se em suas obras. Abandona a técnica do pontilhado e pinta com rápidas e pequenas pinceladas. No ano de 1889, sua doença agrava-se e precisa de internação numa clínica psiquiátrica. Neste local, situado dentro de um mosteiro, existe um belo jardim que passa a ser sua fonte de inspiração. As pinceladas são deixadas de lado e as curvas em espiral surgem vigorosas em suas telas.


Morte

No mês de maio deixa a clínica e retorna a Paris, próximo de seu irmão e do doutor Paul Gachet, o qual retrata em obra que se imortaliza: Retrato do Doutor Gachet. Mas, a situação depressiva não regride. No dia 27 de julho de 1890, atira em seu próprio peito. Levado para um hospital, não resiste e morre três dias depois. Seu caixão foi coberto com girassóis, flor que tanto amava. Sua fama é póstuma e aumenta consideravelmente após a exibição das suas telas em Paris, a 17 de março de 1901.

Nova biografia de Van Gogh diz que o pintor foi assassinado

Dois escritores americanos lançam nova biografia de Vincent Van Gogh e defendem a tese de que o célebre pintor holandês não se suicidou, como se acreditava até então, mas foi assassinado.

Os autores afirmam possuírem provas de várias fontes diferentes, após uma investigação. Eis as palavras de Steven Naifeh autor da biografia do pintor junto com Gregory White Smith: "Confesso, no entanto, estarmos em meio a um verdadeiro turbilhão, um fato que não havíamos sequer considerado." E prossegue: "Pensamos que haveria reações, mas não a um tal nível de paixão."

Os referidos autores são ganhadores do Prêmio Pulitzer em 1991 pela biografia do pintor Jackson Pollock. Em tradução literal, a biografia de Van Gogh denomina-se: The Life ou Van Gogh: a Vida. O mundo da arte estremece com as novas revelações, principalmente em Amsterdã, onde se encontra o maior museu dedicado ao genial artista.

A nova versão expõe que Van Gogh não morreu de um tiro disparado contra o própriopeito, em Auvers-sur-Oise, aldeia então frequentada por artistas a 30 quilômetros de Paris, mas foi assassinado, por acidente ou deliberadamente, por dois adolescentes - os irmãos Secretan, que chegaram a dizer que o pintor havia roubado a arma deles.

Segundo os autores, as provas são provenientes de fontes diferentes e, cruzando-as, surge a diferente tese sobre a morte do pintor. O curador do Museu Van Gogh de Amsterdã, Leo Jansen, afirmou considerar a teoria "interessante", esclarecendo, no entanto, que os escritores "não encontraram novas evidências, simplesmente as reinterpretaram." Sustenta que para crer nesta nova teoria são necessárias novas provas fidedignas, o que é bastante difícil, após tanto tempo passado.

Segundo versão oficial, no dia 27 de julho de 1890, Vincent van Gogh deixou o albergue Ravoux com seus pincéis e cavalete. Retornou cinco horas mais tarde, ferido, e morreu trinta horas depois, nos braços de seu irmão Theo. De acordo com o depoimento da filha do dono do albergue, com treze anos de idade na época, Vincent van Gogh teria respondido "sim" à pergunta do médico sobre o fato de ter atirado contra si mesmo.

Para os autores Gregory White Smith e Steven Naifeh, o pintor teria respondido "sim" para proteger os irmãos Secrétan. Mas, persiste a pergunta: por que protegê-los, se os meninos não paravam de aborrecê-lo e de contrariá-lo?

Destacou o jornal holandês de esquerda De Volkskrant, em editorial que, se Vincent van Gogh tivesse morrido de velhice, aos 80 anos, em 1933, repleto de glória e com suas duas orelhas, não teria se tornado jamais o mito que é hoje. O periódico ressalta que as obsessões do pintor, suas psicoses, depressões, erros e as manifestações da orelha cortada e do suicídio – integram a história de Vincent van Gogh, tanto quanto seus ciprestes e campos de milho.


Principais obras de Van Gogh

- Os comedores de batatas (1885)
- Caveira com cigarro acesso (1886)
- A ponte Debaixo de Chuva
- Natureza morta com absinto
- A italiana (1887)
- A vinha encarnada
- A casa amarela (1888)
- Auto-retratos
- Retrato do Dr. Gachet
- Girassóis
- Vista de Arles com Lírios
- Noite Estrelada
- O Escolar
- O velho moinho (1888)
- Oliveiras (1889)
- Vista de Arles, Pomar em flor
- A Igreja de Auvers


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Referências

GRAMARY, Adrian. A doença de Van Gogh. Leituras, v. VII, n. 3, p. 47-50, maio/jun. 2005.

ARTAUD, A. Van Gogh, o suicidado da sociedade. Lisboa: Assírio & Alvim, 2004.

NOVA biografia de Van Gogh diz que o pintor foi assassinado. Disponível em: http://diversao.terra.com.br/arteecultura/noticias/0,,OI5422655-EI3...

VAN GOGH,Vincent. Cartas a Theo. Barcelona: Paidós Estética, 2004.

VAN GOGH. Uol Educação. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/van-gogh.jhtm

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 30/03/2012
Alterado em 30/03/2012
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