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Entrevista para Revista Eisfluências

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Humanista. Cientista na área do Direito. Escritora. Poeta. Embaixadora Universal da Paz pelo Círculo Universal dos Embaixadores da Paz - Cercle Universel des Ambassadeurs de La Paix - France & Genève Suisse. Secretária Geral da Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores (AVSPE), Medalha do Mérito Cultural Fluminense de Belas Artes. Artista Plástica com ênfase na pintura, formada pelo Núcleo de Aprofundamento em Pintura do Parque Lage, RJ. Acordeonista formada pelo Conservatório Musical Santa Cecília, Lorena, SP. Declamadora. Criadora das Redes Socioculturais Poetas e Escritores do Amor e da Paz (PEAPAZ), Enciclopédia Virtual de Bioética e Biodireito (BIOBIO) e Centro de Pesquisa Jurídica Sílvia Mota (CENPESJUR).
 
Como surgiu a necessidade de criar Redes Socioculturais?
 
Transformações rápidas ocorrem na Humanidade exigindo flexibilidade, qualidade e adaptação constantes frente às mudanças sociais, econômicas e políticas, por parte do Estado e do indivíduo que, por sua vez, é requestado a desenvolver uma visão dinâmica, valorativa e original da realidade factual. É necessário contribuir para a difusão de um conhecimento técnico-humanista, com vistas à edificação de uma sociedade que seja composta por cidadãos mais éticos e mais felizes.
 
Porque sou poeta, professora universitária e pesquisadora, o mundo virtual imprime grande fascínio ao meu dia a dia. Meu primeiro site – Centro de Pesquisa Jurídica Sílvia Mota (CENPESJUR) - nasceu em 2002, sob a finalidade de servir de apoio às aulas ministradas aos meus alunos do Curso de Direito. Mais tarde, ampliou-se para outras áreas do conhecimento, nas quais comecei a atuar. Em 2007, criei meu primeiro blog literário. Contudo, nem o site e nem o blog possuíam espaço para discussões diretas com os leitores, o que nas redes socioculturais é possível. Também, minha produção literária e científica alcançou extenso volume e o desejo de divulgá-los de forma gratuita evidenciou-se. Além disto, o desejo de interação com o trabalho de outros autores tomava vulto.
 
Foi assim, que em 2010 criei a Rede Sociocultural Poetas e Escritores do Amor e da Paz (PEAPAZ); em 2011, meu primeiro site, anteriormente referido, subdividiu-se em mais duas redes, como suporte à PEAPAZ, no sentido de abrigar possantes áreas do conhecimento às quais me dedico na vida acadêmica: Centro de Pesquisa Jurídica Sílvia Mota (CENPESJUR) e Enciclopédia Virtual de Bioética e Biodireito (BIOBIO).
 
Filosofia da PEAPAZ
 
A PEAPAZ é plataforma de grupo sob a forma de comunidade virtual, sem fins lucrativos. Seu desígnio é o de adquirir e difundir Saber com Dignidade, Ética e Respeito, sob os cânones do Amor e da Paz, por um meio social mais justo. Escolhi para administradores da rede Marco Bastos e Marcia Portella. Para a concretização dos nossos objetivos, criamos grupos e fóruns temáticos relevantes no mundo contemporâneo, além de colocarmos à disposição dos autores recursos de Multimídia - música, fotografia, vídeos, pinturas e arte digital.
 
A vertente interdisciplinar da PEAPAZ tem por finalidade estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito literário e/ou científico e do pensamento reflexivo; incentivar a criação literária e/ou científica, visando ao desenvolvimento intelectual, através da criação e difusão da cultura; suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional; estimular o conhecimento dos problemas do mundo contemporâneo, em particular os nacionais e regionais; e promover a extensão aberta à população, através da leitura livre dos textos e da visualização de quaisquer obras publicadas em seu espaço virtual, de acordo com a legislação vigente no país. Neste diapasão, pretendemos utilizar a rede como recurso para a viabilização e preparação de literatura impressa: fanzines, antologias e publicação de obras individuais, como também oferecer o desenvolvimento de temas a serem utilizados em conferências e palestras.
 
São princípios funcionais da PEAPAZ o respeito à dignidade da pessoa humana; a solidariedade e responsabilidade social; a generosidade sem fronteiras; a compatibilidade do escritor e artista em geral com o meio social, fiéis a si mesmos, avessos à perseguição da glória; e, finalmente, o princípio do respeito ao direito autoral. Nesta seara busca-se fugir dos relacionamentos meramente interpessoais e do cultivo das vaidades, de quando em quando percebidos em sites da mesma estirpe, o que dificulta a intercomunicação com os mesmos.
 
Encanto dos sonetos alexandrinos na vida da poeta
 
Quiçá seja minha formação artística (música e artes plásticas) a responsável por minha paixão pelas diversas formas poéticas. Em particular, os sonetos alexandrinos, constituem-se no ápice do meu encantamento. Desde pequenina escuto-os, embevecida, pela voz da minha mamãe, poetisa Mariinha Mota, quando declamava sonetos da sua autoria, inspirada nos olhos indecifravelmente azuis do meu papai Geraldo Sílvia Mota. Aventurei-me a escrevê-los aos dezesseis anos de idade.
 
Ao contrário do que muitos expressam, as regras seculares do soneto alexandrino não se traduzem em prisão ao dom da criatividade. Seu papel é o de atuar como fonte de sedução e não de prisão. Sendo vistas como algemas, as regras, morrem, suicidam-se, afogam-se o poeta, o pintor, o músico e todo aquele que se disser “criador”. Entregar-se às regras, significa encontrar-se com o âmbito da própria liberdade. Aquele espaço “tão restrito” fica enorme quando se lhes dirigem todas as emoções. Ao especificar, amplia-se!
 
O escritor deflagra o processo criativo ao estabelecer o elo de tensão entre o que tem e o que pretende alcançar. Sabe onde deve atuar e a partir dali, transcende às coisas corriqueiras e banais. Em suma, cria!
 
Agora, vamos ao que seja, per si, um soneto alexandrino
 
O soneto alexandrino é um poema de 14 versos dispostos em dois quartetos e dois tercetos. Essa a dificuldade, pois caberá ao autor desenvolver um atraente enredo (início, meio e fim) ao decorrer dessa pequena estrutura e sob o comando de algumas regras essenciais.
 
Quanto às rimas, os dois quartetos rimarão entre si, comumente, nos sistemas rimáticos:
a) rimas entrelaçadas ou opostas: ABBA-ABBA;
b) rimas alternadas (ou cruzadas): ABAB-ABAB;
c) rimas emparelhadas: AABB-AABB.
Os dois tercetos aceitam duas ou três rimas sempre diferentes dos quartetos, sob variáveis disposições, tais sejam: cdc-cdc; ccd-ccd; cde-cde.
 
Os versos alexandrinos apresentam-se com 12 sílabas poéticas (dodecassílabos) – o METRO. Contudo, não lhes bastam as 12 sílabas. Exigem a presença da tônica - que determina o RITMO, na 6ª e 12ª sílabas poéticas. Mas, existem outras formas de demarcar o RITMO, como por exemplo: presença da tônica na 2ª, 4ª, 6ª, 8ª, 10ª e 12ª (acentuação Yâmbica); a presença da tônica na 3ª, 6ª, 9ª e 12ª; e a presença da tônica na 4ª, 6ª e 10ª e 12ª. Salienta-se, entretanto, que somente ocorrerá um verso essencialmente alexandrino quando ocorrer a tônica na 6ª e na 12ª sílabas poéticas.
 
Importante ressaltar, neste momento, algumas regras conhecidas por todos os sonetistas, sobre a colocação das tônicas em seus sonetos, que permitirão ao verso dodecassílabo ser caracterizado como alexandrino ou não:
a) os segundos hemistíquios de todos os versos terminarão com palavras paroxítonas (chamadas de palavras graves por Olavo Bilac e Guimaraens Passos em seu Tratado de versificação. Dizem os autores: "No soneto clássico, todos os versos são graves";
b) jamais finalizar o 1º hemistíquio com palavra proparoxítona;
c) ao término do 1º hemistíquio, com palavra paroxítona terminada em vogal, faz-se necessário que a próxima palavra comece com uma vogal átona ou consoante muda para haver a elisão;
d) se terminarmos o 1º hemistíquio com palavra oxítona, com ou sem elisão com a palavra seguinte, o dodecassílabo se mantém.
Eis o ensinamento de Olavo Bilac e Guimaraens Passos: "A lei orgânica do alexandrino pode ser expressa em dois artigos: 1º) quando a última palavra do primeiro verso de seis sílabas (hemistíquio) é grave, a primeira palavra do segundo deve começar por uma vogal ou por um h; 2.º) a última palavra do primeiro verso (hemistíquio) nunca pode ser esdrúxula."
 
É muito rica a experiência concernente à realização do soneto alexandrino. Imprescindível que seu último terceto desvende um último verso no qual o poeta exponha o êxtase da sua criação. É preciso que seja impactante de anseio ou de fascínio! O leitor recebe “um soco” ou “um beijo roubado”. Nada mais é preciso, não procura outros versos, não vira a página a procurar o final... Apoteose, pressentida pela sua alma! O último verso do soneto alexandrino extasia o leitor, não antes de seduzir seu próprio autor, que por vezes, sucumbe ao próprio encanto...
 
Reafirmo que a edição do soneto alexandrino não é um digladiar de palavras e de frases, não é um jogo de quebra-cabeça a ser vencido após um cansativo e desgastante esforço. Aliás, a rigidez das suas regras impede que isto aconteça. Só escreve soneto alexandrino o poeta que gosta de desafios, porque o clássico poema parece um leão bravio que somente se deixa domesticar frente à experiência exuberante do poeta com as palavras. Então, flui naturalmente. Há quem não compreenda, mas tudo sai livre e na cadência perfeita. Depois que o poema chega, aí, sim, inicia-se a contemplação e a partir desse galanteio entre criador e criatura surgem os acertos. Mas o soneto, em si, viera antes... livre como um passarinho que se deseja longe da gaiola.
 
Som da Natureza em flor
 
Eis-me a cantarolar a voz da Natureza,
harmonizada ao tom de diapasão divino -
cadência rosa em flor. As ramas da beleza
farfalham na floresta o perfumar citrino!
 
Luar de noite Lua, estrela em realeza,
gemer de água em paz, piano ou violino -
florir da terra-mãe. Em tudo há tal grandeza
que existe em tudo o som de beijo cristalino!
 
Zumbido de uma abelha, um corujar bem lento,
o beija-flor em cor – que de alvoroço extremo
seduz à contraluz - ardor do mel ao vento...
 
Tal qual numa oração, neste momento intenso,
exponho o coração às rimas - nada temo
desse inaudível som - silêncio em mim suspenso...
 
Compor poemas
 
Compor poemas é um ato ingênuo e forte,
mas nunca é deflorar o branco puro em riste
da folha de papel imposta pela sorte,
tal como virgem fosse, à qual ninguém resiste!
 
O verso há de conter lirismo, belo porte,
navegue na alegria, ou na cadência triste,
que seja audaz ou graça e seja afeto ou corte
- sobeje de emoção - sem isto nunca existe!
 
O verso há de conter os sonhos do arco-íris,
os sons da bela aurora, a dor de cada ocaso,
a mais bela virtude em Vida rescendida!
 
Compor poemas é causar prazer à íris,
não é delírio vão, bradar de ódio raso.
Poesia é arte viva e até na Morte é Vida!
 
Desejo
 

Trajada de hera e flor, prenúncio à primavera,
abrigo tempestade, exponho-me ao teu passo
e esculpo vento em ar, pertença d’outra esfera.
Sou barro e sou poema – em ti sou limo escasso.


Passada firme e reta, ao sonho de era em era,
tens olhos luze-luze, ardor de ser devasso
e brincas de pecado em torno da cratera.

Se és Zeus e te sou Hera – aos céus não há fracasso.

Ardente pedes bis, anseias qualquer feito...
Meu corpo nu revela os dons da namorada
e os prêmios celestiais de um deus por mim eleito.


Desejo-te beijar, o corpo inteiro insiste...
Meu dorso nu reclama a língua seviciada
e anulam qualquer não os seios quase em riste.

 
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 21/01/2013
Alterado em 20/01/2017
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