Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Meu Eu-poético sente saudades de algo eterno, do qual não se consegue lembrar... (Sílvia Mota)
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos

Flávio Bolsonaro e a apropriação da grandeza histórica

Há quem conquiste um lugar na História por seus feitos. Outros preferem atalhos mais extravagantes: vestem a grandeza alheia na vã esperança de conferir nobreza à própria biografia.

Na carta em que se autoproclamou presidente eleito do Brasil Flávio Bolsonaro evocou Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí e os opositores venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. Reuniu personagens de trajetórias díspares sob o amparo de uma analogia que parece servir menos à História do que à própria vaidade.

Rui Barbosa legou ao país sua erudição jurídica; Charles de Gaulle, a liderança da resistência francesa; José Martí, a luta pela independência cubana. Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, por sua vez, tornaram-se figuras da oposição venezuelana em diferentes circunstâncias políticas. São trajetórias distintas, cujas particularidades não autorizam analogias automáticas. Afinal, a grandeza histórica não se adquire por contiguidade retórica, tampouco se transfere por empréstimo.

O mais curioso é a conversão de uma derrota eleitoral em epopeia particular. O revés, em vez de impor a necessária reflexão, converte-se em narrativa de perseguição e heroísmo, na qual o protagonista reivindica para si uma estatura que os fatos ainda não lhe conferiram.

Há, nessa encenação, uma confusão elementar entre ambição e grandeza, entre a importância de um acontecimento e a importância que alguém atribui a si próprio.

A democracia, porém, não se curva à presunção individual. O resultado das urnas traduz a soberania popular, não um detalhe descartável na biografia de quem se julga predestinado ao poder.

A posteridade não se comove com títulos autoconferidos nem se deixa seduzir por comparações grandiloquentes. A História distingue, com o rigor do tempo, os que a transformam daqueles que apenas ambicionam protagonizá-la.

Há uma diferença monumental entre entrar para a História e proclamar-se personagem histórico.

Rio de Janeiro, 28 de outubro de 2026 — 21h47

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Enviado por Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz em 28/10/2026
Alterado em 28/10/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Apostila - Direito dos contratos
Apostila - Lei de Falência e Recuperação de E...
Apostila - Direito do Trabalho - II
MOTA, Sílvia et al. Doenças pulmonares: uma v...
MOTA, Sílvia et al. Festa Surpresa
MOTA, Sílvia et al. Antologia de Poetas Brasi...
MOTA, Sílvia et al. Biodireito e Bioética
MOTA, Sílvia et al. Poetrix 4 - Terra
MOTA, Sílvia et al. Mãos que falam - antologi...
MOTA, Sílvia et al. Show de Talentos em Prosa...
MOTA, Sílvia. Apostilas jurídicas diversas
MOTA, Sílvia. Metodologia Jurídica II - Apost...
MOTA, Sílvia. Trabalhos acadêmicos: metodolog...
https://www.instagram.com/belasartesbelas_silviamota